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Tratamento da Canelite: Como prevenir e curar

A “canelite” é um problema infelizmente bem conhecido entre praticantes de esportes que envolvem corrida. Dói muito, e demora a curar, principalmente se você continua fazendo tudo errado !
Boa parte dos corredores já tiveram ou terão esse problema, que poucos profissionais da saúde sabem tratar de forma definitiva, fazendo com que você “case” com essa dor por meses ou até anos.
Tive esse problema, e após pesquisar muito, um corredor, que é médico nos EUA, me enviou um roteiro com todas as explicações de como me livrar daquela dor que já estava comigo por mais de 6 meses. O melhor : sem tomar qualquer remédio. Tentei traduzir as instruções da melhor forma possível, pra disponibilizar aos colegas corredores como curar-se da canelite ou mesmo evitar que ela apareça. Leia com atenção..é chato, mas definitivo ! Boas corridas !
Ok,  você decidiu levar realmente a sério o seu treinamento! Tudo correu bem durante várias semanas, ou meses, mas um dia você sentiu uma dor chata quando você começou seu treino, na parte inferior de suas canelas. O desconforto foi embora depois que você se aqueceu, por isso você não ficou muito preocupado.
Infelizmente a dor voltou no dia seguinte – e durou mais tempo durante o treino. Conforme os dias foram passando, a dor ficou presente durante toda a sessão de treinamento, bem como durante a recuperação final – e aparecendo até mesmo durante suas atividades diárias normais. Você começou a sentir dor quando pressionou com os dedos para sondar a área perto da borda interna de sua tíbia (o osso principal na parte inferior da perna), mas sem nenhum grande inchaço e a dor parecia estar nos tecidos (músculos e tendões), perto da tíbia, e não na própria tíbia. O que estava errado?
Pra sua infelicidade, você desenvolveu um caso clássico de “canelite ‘, uma lesão que é mais tecnicamente chamada de síndrome do estresse medial tibial (SEMT – que aqui nesse texto vou substituir pela popular “canelite” mesmo!). Muitos especialistas acreditam que a canelite é a lesão mais comum entre os atletas cujos esportes envolvem muita corrida (por exemplo, corredores, jogadores de futebol,  e outros participantes de esportes de campo).
Na verdade, a pesquisa mostra que cerca de um em cada cinco corredores machucados ‘estão na prateleira’ por causa da canelite (‘Aliviando as Intensas Dores nas Canelas,´ The Physician and Sportsmedicine, vol. 20 (12), págs 105-113, 1992). E é uma lesão especialmente preocupante, porque além de interromper o ritmo do treinamento, essa lesão tende a se repetir, desafiando os tratamentos convencionais. O local real da lesão  na área da canela pode ser no músculo, tendão, osso – ou nos invólucros de tecido conjuntivo que envolvem os músculos e ossos.
Alguns pesquisadores na área esportiva afirmam que a canelite é quase inevitável, uma vez que cada canela (vou chamar de canela mesmo, ok? mas entendam que é a região tibial !)  absorve uma força igual à duas ou até três vezes o peso corporal em cada passo durante uma corrida – cerca de 700 vezes por milha (1600m) em cada canela, milha após milha. Acredita-se que o efeito cumulativo deste esforço repetitivo nos músculos e tecidos conectivos na área da canela seja a origem da canelite. Por essa razão, a canelite é muitas vezes chamada de uma lesão “de excesso de uso”, embora, como você logo verá, o verdadeiro problema não é tanto o uso excessivo, mas a falta de preparo para esse uso.
Especificamente, a canelite ocorre porque os dorsiflexores do tornozelo – os músculos em volta da canela que na verdade puxam a a ponta  do pé em direção à canela e também,como parte de seu funcionamento excêntrico, evitam que a ponta do pé seja lançado para longe da canela muito rapidamente – não estão funcionando tão bem como deveriam.
Canelite
Flexão e dorsiflexão plantar
O papel-chave destes dorsiflexores do tornozelo durante uma corrida é de fato controlar e limitar a flexão plantar – o movimento do pé para longe da canela. Na corrida, principalmente quando se aterrisa com o calcanhar- há uma tendência do pé  dar um ‘tapa’ com força contra o solo. No corredor que usa primeiro o calcanhar para entrar em contato com o solo, o impulso para a frente faz bater o resto da parte inferior do pé contra o chão com rapidez e força: uma ação descoordenada e de desperdício de energia que tenta ser evitado por contrações excêntricas dos dorsiflexores.
O som de pés batendo
Se um corredor tem dorsiflexores do tornozelo fracos, muitas vezes você pode ouvir ele chegando” a 1 km de distância”, porque seus pés realmente soam como tapas contra o pavimento (claro, tal corredor tem grandes chances de ter canelite , porque o movimento de batida rápida do pé vai sobrecarregar os dorsiflexores). Em contraste, o corredor com fortes dorsiflexores parece correr macio, mesmo se ele estiver correndo sobre concreto. Assista alguns dos quenianos de elite correndo, por exemplo, e compare os seus padrões de pisada com os dos britânicos ou americanos de elite ou o atleta médio. Os quenianos constroem tremenda força dorsiflexora e funcionalidade, porque eles passam seus primeiros anos de vida correndo e caminhando milhas sem fim descalços, em vez de se movimentarem com os pés presos em ’solas’ macias que protegem os pés do trabalho duro – ou sentados com os pés apoiados em um pufe macio. Como resultado, os quenianos desperdiçam muito pouca energia durante a fase de “aterrisagem” – e raramente mancam para fora da pista ou estradas com uma lesão na canela.
Além de controlar a flexão plantar, os dorsiflexores também devem lidar com os movimentos laterais do pé e tornozelo durante corridas – bem como os movimentos rotacionais que são um componente natural do ciclo de marcha . Qualquer tendência do pé para pronação ou supinação deve ser controlada pelos músculos dorsiflexores. Se houver um movimento repetitivo, estressante em qualquer direção , os músculos da canela podem ser danificados. É por isso que muitas das rotinas de exercícios que supostamente previnem contra canelite não funcionam tão bem, elas muitas vezes só enfatizam movimentos unidirecionais frente-trás , em vez de atividades de lado-a-lado e de rotação que são aspectos rotineiros da biomecânica da corrida. A questão principal é que, se você quiser evitar canelite , você não pode meramente desenvolver uma força genérica em seus dorsiflexores – ou força que se apresenta em apenas um plano de movimento : os seus dorsiflexores devem realmente ser mais fortes, enquanto você estiver correndo. Daqui a pouco falamos mais disso.
É por isso que o tratamento clássico para canelite (repouso, elevação, compressão, alongamento suave dos músculos, gelo e, possivelmente, fitas tensoras),em inglês, RECEIPT (Rest, Elevation, Compression, Easy stretching of the muscles, Icing, and Possibly Taping), funciona muito bem para aliviar os sintomas, mas faz um trabalho muito pobre em manter a lesão afastada da recorrência. Somente melhorando a força funcional dos dorsiflexores e a força e coordenação de toda a área do tornozelo se pode ter a certeza de que a canelite será eliminada definitivamente. Se os seus dorsiflexores são fortes o suficiente para lidar com sua carga total de treinamento, pode treinar tranquilo que você não será premiado com dores decorrentes da canelite!

Experimente estes exercícios de prevenção à canelite

Então, o que você realmente deveria fazer para reduzir seu risco de ter canelite? Bem, simplesmente utilizar estes exercícios de prevenção descritos em seguida:

1. Parede/Canela/Elevações.

Canelite - Fortalecimento paredeFicar de pé, de costas para uma parede, com os calcanhares a uma distância da parede aproximadamente igual ao comprimento de seu pé. Então, inclinar-se para trás até que suas nádegas e ombros fiquem contra a parede. Dorsiflexionar ambos os tornozelos ao mesmo tempo, enquanto os calcanhares permanecem em contato com o solo. Trazer os dedos dos pés em direção a suas canelas tanto quanto você puder, e abaixar os pés de volta para o chão, mas não permitir que seus antepés entrem em contato com o chão antes de começar a próxima repetição. Simplesmente baixá-los até que estejam perto do chão e, em seguida, começar outra repetição. Concluir cerca de 12 a 15 repetições.
Após haver terminado as repetições, manter a sua posição básica com as costas contra a parede, dorsiflexionar seus tornozelos para fechar para todas as suas extensões, e, em seguida, rapidamente, fazer a dorsiflexão e flexionamento plantar de seus tornozelos 15 vezes ao longo de uma pequena amplitude de movimento (menor do que a gama quase completa que você usa para as repetições básicas; a ênfase aqui é na rapidez). Estes movimentos curtos, rápidos do tornozelo são chamados de pulsos.
Na medida em que você ganhar força ao longo do tempo, fazer as elevações canela/parede progressivamente mais difíceis aumentando de uma série de 15 repetições para duas e depois três séries de 15 (para as elevações básicas e os pulsos). Você pode caminhar por 15 a 30 segundos entre as séries

1.2. Agora, a elevação em uma perna

Uma vez que você completar muito confortavelmente 3 x 15 elevações com duas pernas (ambas básicas e rápidas), avançar para a elevação parede/canela em uma perna. A posição básica para este exercício é como antes, exceto que você começa com apenas um dos pés em contato com o solo; o outro pé descansa levemente na parede atrás de você. Agora, o peso corporal total está em um pé – como é durante uma corrida – na medida em que você completa a rotina geral, os exercícios são consideravelmente mais difíceis. Começar com 12 a 15 repetições por pé (ambos para o exercício básico e pulsos), e avançar para 3 x 15 (básica e pulso) em cada pé na medida em que sua força aumentar. Não há necessidade de descanso entre as séries, simplesmente fazer 15 repetições em um pé mais os pulsos, mudar para o outro para 15 repetições e pulsos, retornar para o pé inicial e assim por diante até que tenha completado três séries com cada pé. Você vai ver como isso vai queimar a região ! Mas compensa!

2. Calcanhar/Passo-Descidas

Estes são exercícios simples, mas extremamente Canelite - Prevençãoeficazes para prevenir canelite. Começar com uma posição natural, ereta do corpo, com os pés distanciados na largura dos ombros, e então avançar para frente com um pé. O comprimento do passo deve ser moderado – como se você estivesse andando normalmente. Quando seu calcanhar fizer contato com o solo, impeça o pé de fazer total flexão plantar, ou seja, use os músculos da canela para impedir a sola do pé de fazer contato com o solo. Após contato do calcanhar com o solo,o antepé (em inglês costumam chamar de “ball of the foot”)  não deve descer mais do que 2,5cm em direção ao chão ou solo; seu pé é mantido sob controle pelas contrações excêntricas de seus dorsiflexores (músculos da canela).
Antepé (ball of the foot)
Antepé (ball of the foot)
Retornar o pé à posição inicial (de volta pelo outro pé), e repetir esta ação básica de pisar um total de 15 vezes. Em seguida, mudar para o outro pé e completar 15 passos. Tal como nas elevações parede/canela, avançar para 3 séries de 15 repetições ao longo do tempo.

Agora, com passos mais longos

Após haver dominado os básicos de calcanhar/passo/descidas, fazer o mesmo exercício – mas com passos bem mais longos. Usando passos mais longos vai aumentar as forças de aceleração colocadas nos dorsiflexores e forçá-los a trabalhar com mais força e rapidez, como eles devem fazer durante uma corrida. Começar com uma série de 15 repetições de passos longos por pé, e avançar para 3 x 15 para cada pé ao longo do tempo.
Finalmente, você estará pronto para realizar o calcanhar-passo-descidas de um degrau alto, o que aumentará as forças sobre os músculos da canela na sua maior medida – e deixa-la mais forte. Usar um banco ou plataforma de exercício que esteja cerca de quatro centímetros do chão para fazer seu exercício. Além de iniciar cada passo de uma plataforma, seus movimentos são os mesmos que os básicos do calcanhar/passo/descida; a ideia é tocar o chão primeiramente com o calcanhar do pé que estiver executando o passo e, em seguida, usar os músculos da canela para evitar que a sola do pé faça contato com o solo (novamente, não deixe a bola do pé se mover para baixo por mais 2,5cm). O comprimento real do passo é, primeiramente, moderado (você pode evoluir para passos longos mais tarde). Como antes, começar com 15 repetições por pé, e evoluir para três séries de 15 repetições na medida em que você ganhar força e coordenação.
Ambos os exercícios parede/canela/elevações e o calcanhar/passo/descidas podem ser realizados três a quatro vezes por semana, juntamente com seus outros exercícios de ganho de força(você pode completá-los com mais frequência se você tiver tido muitos problemas com a canelite no passado; no entanto, não faça-os ao ponto de sentir dor).

Aquecimento para canelas mais fortes

A parte seguinte da rotina de prevenção da canelite pode ser completada durante os aquecimentos, antes dos seus exercícios regulares. Os exercícios prescritos desenvolvem força nas canelas e resiliência, bem como coordenação geral do tornozelo e, assim, são ótimos antídotos para a tendência de seus tornozelos começarem a doer durante treinamento mais forte. Também é uma boa ideia incluir estes exercícios em seus aquecimentos, pois isso transforma o aquecimento monótono de rotina em uma sessão importante de força e coordenação.

Faça o seguinte:

Canelite - Andar na ponta dos pés
1. Ande sobre os dedos dos pés com os dedos apontados para frente por cerca de 20 metros, ficando o mais alto possível sobre seus dedos tanto quanto você puder. Suas pernas devem estar relativamente retas quando você fizer isso, e você deve – pelo menos inicialmente – dar passos bastante pequenos.
Shin-Splints-Calf-Raises-External-Rotation2. Em seguida, andar 20 metros sobre seus dedos dos pés, ficando o mais alto possível, mas com os dedos apontados para fora. Suas pernas devem girar para fora a partir dos quadris quando você executar este movimento, não apenas girar cada pé no tornozelo – a perna inteira está envolvida.
Shin-Splints-Calf-Raises-Internal-Rotation
3. Finalmente, andar 20 metros sobre seus dedos dos pés ficando o mais alto possível, mas com os dedos apontados para dentro. Ao fazê-lo, girar toda a perna a partir do quadril, não apenas o tornozelo. Repetir cada uma dessas atividades (dedos apontados para frente, dedos apontados para fora, dedos apontados para dentro) pelo menos mais uma vez antes de ir para o segundo exercício.
Canelite - Prevenção4. Caminhar sobre os seus calcanhares com os dedos apontados para a frente por cerca de 20 metros, ficando o mais alto possível sobre os calcanhares tanto quanto você puder. Suas pernas devem estar relativamente retas, quando fizer isso, e você deve – pelo menos inicialmente – dar passos bastante pequenos
Em seguida, proceder como você fez andando com os dedos do pé, andando 20 metros sobre os calcanhares com os dedos apontados para fora e, em seguida, 20 metros sobre os calcanhares com os dedos apontados para dentro. Repetir cada uma das caminhadas sobre os calcanhares (dedos dos pés para a frente, dedos apontados para fora, dedos para dentro), pelo menos mais uma vez.
Na medida em que o andar sobre dedos e calcanhares se torna mais fácil para você, passar a fazer as três variações de cada exercício correndo devagar, em vez de andar! Pelo menos no início, você deve ter certeza de que você está em uma superfície acolchoada ou gramado quando você correr na ponta dos pés e calcanhares.
5. Saltar por 20 metros, usando a área mediana do pé(antepé) para cada contato com o solo e, com os dedos apontados para a frente. Em seguida, faça o mesmo, mas com os dedos apontados para fora por 20 metros, e em seguida, com os dedos apontados para dentro por 20 metros. Repetir a sequência pelo menos mais uma vez.
Em seguida, levantar-se bem, nas pontas dos pés, e pular por 20 metros com dedos para frente, apontados para fora e apontados para dentro.
Agora pule sobre os calcanhares
Uma vez que os exercícios de salto estiverem mais fáceis de realizar, tente alguns pulos leves com seus calcanhares. Construa aos poucos a sua capacidade de pular com calcanhar, com os dedos para a frente, apontados para fora, e apontados para dentro por 20 metros de cada vez. Pular com calcanhar é uma ótima maneira de construir força dorsiflexora, mas faça-o apenas sobre uma superfície acolchoada ou gramada para evitar lesões de impacto para seus calcanhares.
6. Depois de haver concluído suas rotinas de caminhar, correr e pular, é hora de delimitar o ritmo. Este não é o tipo de delimitação que você provavelmente está imaginando – não queremos dizer evoluir com passos extralongos, pelo menos não no início. Em vez disso, você deve correr com passos curtos, muito flexíveis, tocando o solo com a parte mediana do pé em cada contato e saltando para cima após o impacto. Com você em ritmo limitado, seus tornozelos devem agir como molas espirais, comprimindo um pouco quando você fizer o seu contato com a parte mediana do pé e depois recuando rapidamente – fazendo com que você salte para cima e para frente. Mover ao longo de 20 metros ou mais com esses passos rápidos, pequenos, como se fossem sobre molas, alternando os pés direito e esquerdo como você faria durante uma corrida.
Depois de 10 a 20 metros de corrida normal, corra com ritmo limitado por mais 20 metros, alternando com três contatos consecutivos tipo molejo com o pé direito, e três com o esquerdo. Depois de mais 10 a 20 metros de corrida regular, feche a série saltando pelo total de 20 metros somente com seu pé direito, seguidos de 20 metros com o esquerdo (tendo a certeza de pousar com a área mediana do pé em cada contato com o solo e que a região do seu tornozelo, e não o seu joelho ou quadril, está fazendo a maioria do trabalho). Certifique-se (pelo menos no início) que tudo isso é feito em uma superfície acolchoada ou grama macia. Quando você se tornar mais forte e mais experiente, você pode aumentar o comprimento e amplitude (altura vertical) de cada salto e incluir séries adicionais de limites (avançar no seu treinamento até 4 séries).
7. Concluir alguns “pulos de dorsiflexão ‘. Para fazer isso, basta começar a saltar verticalmente e repetidamente cerca da altura máxima, o contato com o solo é feito com a parte mediana do pé com os dois pés e, em seguida, pulando para cima rapidamente depois de cada contato com o solo. A parte interessante deste exercício é que você deve dorsiflexionar seus tornozelos – puxando os topos de seus pés em direção a suas pernas – em cada subida, antes de despencar de volta para o solo fazendo a flexão plantar de seus tornozelos logo antes de fazer contato com o solo. Fazer 10 saltos de dorsiflexão, descansar por mais ou menos 10 segundos, e depois repetir. Com tempo, você pode acrescentar séries adicionais e aumentar o número de repetições para 30. Quando você estiver realmente forte e hábil, realizar este exercício em apenas um pé de cada vez, mas somente em uma superfície de baixo impacto.
7. Finalmente, realizar o ritmo saltitante. Ritmo Saltitante é realmente apenas saltar parado, mas caprichado! Você deve começar com 10 saltos no mesmo lugar, moderadamente rápidos, com altura média, e com movimentação máxima nos tornozelos – mas pouca flexão e extensão nos joelhos e quadris (ao longo do tempo, você pode executar até 30 saltos). Então, depois de descansar por alguns segundos, alterar a amplitude (altura) de seus saltos para menos de uma polegada, e completar 20 saltos tão rápido quanto você possivelmente puder (pretender que seus pés estão batendo em um fogão quente – de modo que você deve minimizar o seu tempo de impacto com o solo). Novamente, quase toda a ação deve ocorrer em seus tornozelos, não em seus joelhos e quadris. Quando você se tornar mais experiente, trabalhe até 40 saltos rápidos.
Após descansar por alguns segundos, completar cinco saltos de ‘alto impacto’, aumentando a amplitude (altura vertical) do seu salto, tanto quanto possível. Ao longo do tempo, avance para 30 desses maxi-saltos.
Até agora, todos os saltos de ritmo foram realizados no local; assim, faça as coisas ficarem mais interessantes saltando para a frente e depois para trás o mais rápido possível. Depois de você ter feito 20 ‘contatos’ (cada vez que seus pés batem no chão é um contato), descansar por alguns segundos e, em seguida, saltar de um lado para outro por 20 contatos. Descanse outra vez, e depois salte em uma direção, que é cerca de 45 graus a partir da linha para a frente, alternando direções (primeiro para a direita, em seguida, para a esquerda) por 20 contatos enquanto movendo para diante em linha ziguezague. Lembre-se de usar seus músculos do tornozelo para impulsioná-lo, e não os grandes músculos nos joelhos e quadris.
Quando você ganhar habilidade e força, você pode aumentar o número de séries de cada tipo de ritmo saltitante de um para três, e então – a parte divertida – realizar cada tipo de salto em somente um pé. Movendo-se em direções diferentes quando você saltar aumenta a capacidade de seus músculos da canela para lidar com todas as forças criadas durante uma corrida – as tensões de lado-para-lado e de rotação, além das forças menos negligenciadas de frente e de trás.

Outras considerações

Claro, realizando estes exercícios não significa que o risco de ter canelite seja zero. Se, de repente, você mudar o seu volume semanal de corrida de 25 para 75 milhas porque você foi mordido pelo bichinho da maratona, por exemplo, alguma coisa vai ter que ceder, e que poderia muito bem ser seus músculos das canelas e tendões. Assim, tenha certeza de evitar mudanças drásticas na frequência, volume ou intensidade do seu treino; sempre progrida gradualmente para níveis mais difíceis de trabalho
Especialistas em medicina de esportes muitas vezes recomendam alongar a área do tornozelo, movendo lentamente o tornozelo para cada final de sua amplitude de movimento na direção direto para trás e para frente, por exemplo, para as posições totalmente dorsiflexionadas e depois completamente plantar-flexionadas, mantendo cada posição entre cinco e 60 segundos. O problema com isso, é claro, é que você só está alongando seus músculos em um plano de movimento e, portanto, não adequadamente imitando o alongamento que ocorre durante uma corrida. No mínimo, além de realizar os alongamentos plantar-flexionados e dorsiflexionados, você também deve alongar cada tornozelo, girando-o totalmente para fora e para dentro – e com flexão plantar e dorsiflexionando o tornozelo enquanto o pé é apontado ambos para fora e para dentro, para vários graus – e não somente para a frente.
Os especialistas também recomendam o reforço da zona do tornozelo, acrescentando resistência aos movimentos de alongamento acima, com a utilização de elásticos médicos ou faixas elásticas. Essa é de fato uma forma de aumentar a força geral do tornozelo, e certamente vai fazer você mais forte quando você realizar exercícios com esses objetos no futuro. O problema, claro, é que você corre com os pés no chão – não parados no ar nas garras de faixas elásticas. Assim, para preparar plenamente seus tornozelos e canelas para os rigores de uma corrida, é melhor focar nos exercícios específicos que estamos recomendando.

O alongamento realmente ajuda a prevenir canelite?

Nenhuma evidência científica indica que ele o faz, mas a ideia de que o alongamento pode ser protetor é lógica (músculos excessivamente tensos parecem mais propensos a serem danificados por forças atuantes, em comparação de com fibras relaxadas). Não alongue sua área do tornozelo até depois que seus músculos estiverem aquecidos, no entanto, um bom momento seria após um aquecimento e/ou no final de sua sessão de treino.

Outras lesões na parte inferior da perna

É claro, todos os problemas na parte inferior da perna não são necessariamente exemplos de canelite. Em particular, duas condições – síndromes do compartimento e fraturas da tíbia por estresse – às vezes podem ser confundidas com canelite.
Síndromes de Compartimento devem seu nome e origem ao fato de que os músculos das pernas não são simplesmente tiras soltas que vão de osso para osso. Na realidade, os músculos são frequentemente agrupados em pequenas seções da perna que são envolvidas por um invólucro resistente de tecido conjuntivo. Tal arranjo dos músculos enfiadas em um invólucro é chamado de ‘compartimento’.
Durante o ato de correr, o excesso de líquido pode acumular-se dentro de um desses compartimentos, exercendo pressão sobre as fibras musculares, células nervosas e vasos sanguíneos – e também causando uma grande quantidade de dor. Frequentemente, a dor será tão severa que um corredor deverá reduzir um treino ou chegar a parar durante uma corrida. E a dor geralmente será acompanhada dos dois sintomas reveladores de uma síndrome de compartimento – dormência e fraqueza.
Dormência ocorre porque o excesso de pressão dentro de um compartimento dificulta a atividade dos nervos sensoriais que transportam mensagens para o cérebro. Como resultado, o corredor com a síndrome de compartimento pode perder sensibilidade na “rede” do pé – entre o primeiro e segundo dedo do pé, ou a insensibilidade pode estender-se do pé para o tornozelo.
A fraqueza é sentida porque os nervos motores que transportam impulsos em direção aos músculos também estão danificados pelas altas pressões no interior do compartimento. Se um compartimento na parte da frente da perna estiver envolvido, o corredor pode ter problemas em dorsiflexionar o tornozelo e o pé pode parecer cair livremente. Num problema posterior de compartimento envolvendo os músculos na parte de trás da perna, há muitas vezes fraqueza quando um indivíduo tenta levantar os dedos.
Se você realmente tiver uma síndrome de compartimento, normalmente você irá observar inchaço na parte inferior de sua perna, inchaço que tende a diminuir quando a perna é elevada. Um médico pode dizer com certeza se você tem esse problema preocupante colocando um cateter em um de seus compartimentos e medindo a pressão antes, durante e após uma corrida (normalmente você vai ter que correr o tempo suficiente para produzir dor durante este teste).

E quanto às fraturas por estresse?

As fraturas por estresse são pequenas avarias em tecido ósseo, e fraturas de estresse tibial, que são algumas vezes confundidas com canelite, são as mais comuns de todas as fraturas por estresse em atletas, representando cerca de 50% do total. Além de produzirem muita dor, fraturas por estresse podem realmente evoluir para fraturas de deslocamento, em que duas partes do osso realmente se separaram. As fraturas por estresse também podem ser ‘sinais de alerta’ de um problema nutricional ou hormonal subjacente.
Infelizmente, os raios X tradicionais muitas vezes não conseguem detectar fraturas por estresse, por isso, um procedimento mais caro chamado de varredura óssea deve frequentemente ser feito para confirmar o diagnóstico. Em uma varredura óssea, um contraste é injetado no sangue. Tecido ósseo, que está se remodelando e se reconstruindo no local de uma fratura por estresse, irá acumular mais desse radioisótopo infundido, fazendo com que a área óssea afetada se destaque para mostrar-se como uma mancha escura em uma ‘cintilografia’. Embora seja comum dizer que fraturas de estresse levam de dois a três meses para cicatrizar, até seis meses podem ser necessários para restaurar o osso ao normal e remover a maioria dos traços de dor, e alguns atletas precisam de mais de um ano para se recuperarem totalmente.
Às vezes chamada de “dor crescente”, a agonia associada a fraturas de estresse tende a crescer-se constantemente durante uma corrida, começando como uma irritação incômoda e se tornando um tormento latejante na medida em que um indivíduo continuar a correr. Há geralmente um pouco da dormência, fraqueza e inchaço associados com a síndrome de compartimento, e a dor geralmente não está presente quando um atleta está em repouso. Muitas vezes, o osso vai doer quando sofre batidas perto da área danificada, e, ocasionalmente, um nódulo duro vai aparecer na superfície do osso no local do problema.
Se você for diagnosticado com uma fratura por estresse, você deve ter certeza de ter uma análise nutricional realizada (o seu problema pode ser o resultado de ingestão inadequada de cálcio ou má absorção de cálcio). Além disso, os atletas que desenvolvem fraturas por estresse devem ter seus níveis de hormônios sexuais verificados (concentrações adequadas de testosterona em homens e níveis de estrogênio em mulheres são necessárias para a manutenção óssea ideal).

Como você pode diferenciar canelite de fraturas por estresse e síndromes de compartimento?

A dor da canelite é geralmente menos localizada, em comparação com a dor de stress por fratura (que tende a subir e descer numa região da perna inferior perto da tíbia), e geralmente não podem ser produzidas meramente batendo na tíbia. Além disso, canelite não produz nenhuma das dormências associadas a síndromes de compartimento.

Quanto tempo dura a canelite ?

Se você for infeliz o suficiente para ter a canelite, o seu período de recuperação normalmente irá durar de 1 a 6 semanas, dependendo de como você for atingido. Se você tiver um caso leve de canelite (sua canela dói moderadamente, e somente após os treinos), corte imediatamente sua quilometragem semanal em cerca de 30%, e começe a fazer estes exercícios recomendados (estamos supondo que a sua agenda lotada o impediu de realizar as rotinas fielmente, permitindo o surgimento da canelite). Comece leve com os exercícios, fazendo apenas uma série de cada, e pare se sentir qualquer dor. Aplique gelo na área afetada após a atividade, e, claro, mantenha toda a área relaxada e flexível tanto quanto possível. Dentro de uma semana ou duas, você deverá ser capaz de voltar ao seu treinamento normal, mas não se esqueça de fazer os exercícios de prevenção de dor nas canelas.
Se você tiver um caso um pouco mais grave de canelite (uma dor leve surge durante os treinos, mas não parece te atrapalhar muito), corte a quilometragem semanal em cerca de 50%,  aplique gelo e alongue religiosamente, considere tomar medicamentos anti-inflamatórios isento de esteróides (mas só se você não estiver propenso a problemas gastrointestinais que têm sido associados com estes compostos), e torne-se um devoto destes exercícios de fortalecimento de canelas (mas faça-os gradativamente, uma vez que podem inflamar ainda mais as canelas se praticados com exagero) . Pedale para manter a forma. Em duas ou três semanas, você deverá estar pronto para seu treinamento regular.
Se a sua canelite produzir dor aguda enquanto você estiver treinando, interrompa todos os treinos de corrida, aplique gelo e alongue, tome anti-inflamatórios não-esteroidais indicados pelo seu médico, e – quando a dor ceder – comece sistematicamente a fazer estes exercícios, começando com alguns levantamentos canela/parede com duas pernas inicialmente e progredindo gradualmente para os outros. Use bicicleta  para manter a forma, e retorne ao treinamento normal em quatro a seis semanas.
Lembre-se que se você executar a nossa rotina de tratamento para canelite várias vezes por semana e parar de fazer alterações bizarras e repentinas no seu treinamento, seus episódios de canelite devem cair para zero.
Original em inglês escritos por Owen Anderson e Walt Reynolds